A digitalização e a sustentabilidade trazem um novo conceito: a sustentabilidade 4.0

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  • 1 de dezembro de 2020

Inovações tecnológicas, internet das coisas, digitalização de máquinas, robotização e otimização autônoma de processos são temas debatidos em um ambiente de disrupções de modelos de negócios. Diversos setores e indústrias se apropriam dessas transformações com o objetivo de se adequar às novas demandas do ambiente de negócios que se encontram.

Essas transformações revolucionam as formas de comercialização e promovem mudanças de comportamentos nas esferas de produção e consumo que contribuem para a estruturação e formação de modelos de negócios mais sustentáveis. As novas tecnologias impactam de forma recorrente setores como saúde, energia e construção, e se configuram em uma soma de processos inteligentes que originam produtos e serviços cujo objetivo é gerar conforto e qualidade de vida humana associada à sustentabilidade de recursos.

Conhecido como indústria 4.0 ou quarta revolução industrial, esse cenário se caracteriza pelo conjunto de processos tecnológicos ligados a autonomia, eficiência, digitalização e customização.

Com a difusão da quarta revolução industrial, os consumidores passam a ter mais autonomia sobre suas escolhas em diferentes mercados. Essa autonomia reverbera em diversas possibilidades de escolha de serviços mais customizados.  As marcas e organizações que cumprem os critérios de desenvolvimento tecnológico e de sustentabilidade passam a conquistar a confiança deste novo tipo de consumidor; que é mais engajado a assuntos de caráter tecnológico, social e ambiental.

A revolução 4.0 também pode ser articulada como ferramenta facilitadora para os debates de cunho social, político, ambiental, ampliando e transformando as oportunidades de mercado com função de modificar a forma de consumir e produzir, e auxiliar os diferentes tipos de público em suas escolhas como consumidor. É neste contexto que o avanço tecnológico pode ajudar a atender a demanda de um consumo responsável; entendido como uma prática de consumo que evita explorar a sociedade e os recursos do meio ambiente. O consumo responsável se consolida como uma forma de resposta a pressões de grupos ambientalistas, movimentos sociais, governamentais e midiáticos.  O compartilhamento de carros, a escolha de um tipo de energia renovável, aplicativos de brechós online, impressões 3D são ações derivadas de processos de digitalização e tecnologia que impulsionam naturalmente o caminho para um consumo mais responsável.

Por meio de inteligência artificial algumas companhias já identificaram nichos de mercado e formas para contribuir com a sustentabilidade e um consumo responsável dos recursos naturais. Recentemente a empresa Microsoft criou o programa de inteligência artificial chamado AI for Earth que é um programa que fornece recursos computacionais a partir da nuvem para organizações que buscam transformar a forma de gerir os recursos naturais da terra. A ferramenta pode ser utilizada para diagnosticar condições da água, ar e solo capturando dados e informações para o desenvolvimento de soluções mais sustentáveis. As principais frentes de atuação do programa são voltadas para quatro principais áreas: agricultura, água, biodiversidade e mudanças climáticas.

A revolução tecnológica tem contribuição direta nas 3 dimensões da sustentabilidade: econômica, ambiental e social. Na dimensão social podemos ilustrar essa conexão em alguns campos como na criação de novas profissões e na qualificação dos profissionais, maior autonomia e flexibilidade em relação à vida social e profissional até possibilidade inclusão de gênero e classes sociais no mercado de trabalho. Na dimensão econômica um aumento na produtividade e receitas das organizações, investimento em pesquisas e desenvolvimento, maior participação do consumidor nas cadeias de valor e eficiência produtiva. Na dimensão ambiental identificamos uma utilização mais eficiente no consumo energético, mitigação de poluentes e resíduos ao meio ambiente, reutilização de recursos naturais, contribuição para as agendas globais e metas climáticas.

Apesar do avanço tecnológico ainda encontramos resistência de consumidores e algumas indústrias e cadeias de produção. Segundo uma pesquisa do Instituto Akatu, 45%, maior parte das pessoas que foram questionadas sobre produtos sustentáveis, afirmaram que consumir este tipo de produto é mais caro e que seus orçamentos não comportam o gasto.    Ademais, 42% também afirmaram que consumir de forma mais responsável é consumir menos. Porém, atualmente contempla-se um cenário em que por meio de uma revolução tecnológica é perceptível o início de uma desconstrução de que o sustentável é mais caro. O aplicativo Blablacar é uma plataforma de caronas que conecta motoristas e passageiros para realizar viagens de longa distância dividindo o custo total da viagem. Neste caso, a carona compartilhada colabora para a redução de custos dos motoristas e passageiros, diminuição de carros nas ruas e mitigação de poluentes que são emitidos por esses automóveis.

Contudo, esse panorama tecnológico ainda encontra diversos entraves como regulação de mercado, custo de tecnologia, capacitação técnica e modelos obsoletos de negócios que impossibilitam o avanço da digitalização nos diferentes setores em que a sustentabilidade permeia. Ao passo que surgem oportunidades para criar um elo entre sustentabilidade e tecnologia também se identifica uma série de desafios fundamentais para o avanço industrial sustentável. Com base no conceito da indústria 4.0, as organizações têm oportunidade de aproveitar os recursos existentes e disponíveis para a criação de maior valor agregado na oferta de serviços e produtos ao consumidor. Alugar um carro compartilhado por um aplicativo, reservar um hotel ou apartamento online e até vender e comprar a energia que se usa em casa pelo celular são soluções de caráter tecnológico que proporcionaram uma economia de eficiência com a utilização dos mesmos recursos para a criação de maior valor colaborando com as questões sociais, econômicas e ambientais ligadas a sustentabilidade.

Fonte: ConsumidorModerno